Friday, November 24, 2006

O Poema

Faça poesia como quem canta
Entregue-se a ela
Como quem entrega a alma
No momento final.
Beba do poema
Na fonte perene da saudade;
Sorva-o aos poucos
Como um bom vinho;
Sinta-o primeiro na ponta da língua
Depois, no coração,
Na alma,
Na eternidade.

Friday, January 13, 2006

Liberdade


Manhãs,
sem sol, fria e triste.
Uma criança brinca na calçada;
pequenos barcos na enxurrada,
descendo a rua,
navegando os mares da fantasia.
Manhãs,
chuva, frio e solidão.
Crianças sem casa,
navegantes dos sonhos.
Livres.
Pesadelo



Não sei quando aconteceu,
mas sei que vi minha imagem,
imagem refletida,
ressentida,
sofrida como o tempo.
De repente,
não era o meu reflexo,
era o meu sonho,
ou quem sabe,
meu pesadelo.
E Eu Sorria



Era bom sentir o cheiro
das manhãs sem sol;
beber a chuva fria
que escoria pelo meu rosto;
rosto cansado,
castigado pelo tempo...
E Eu Sorria.

Saturday, September 03, 2005

No Congresso


De repente me vejo diante do congresso,
Imerso em meus pensamentos;
Terei ingresso ou não?
Mas para entrar precisa-se de mensalão.
Eu? Não, não me meto nessa enrascada,
De olhar político ou quase nada
Para aprender ou ensinar.
Olho uma mala que passa recheada,
De roupa? Qual nada!
De repente, não mais que de repente,
Fico vermelho de raiva dessa meleca,
E eis que passa um assessor com dólares na cueca.